10 indicadores financeiros que um gestor deve acompanhar todos os meses

Os indicadores financeiros permitem transformar a informação contabilística em sinais concretos sobre a saúde, rentabilidade, liquidez e eficiência de uma empresa. Mais do que conhecer o volume de vendas ou o saldo disponível na conta bancária, um gestor precisa de perceber como a empresa está a gerar resultados, financiar a operação e utilizar os recursos disponíveis.

Equipa de gestão a analisar indicadores financeiros e resultados de uma empresa durante uma reunião

Um indicador financeiro isolado raramente conta toda a história. O verdadeiro valor surge quando diferentes métricas são analisadas em conjunto, comparadas com períodos anteriores e relacionadas com os objetivos definidos para o negócio.

Os principais indicadores financeiros ajudam a medir a capacidade da empresa para cumprir obrigações, gerar lucro, financiar investimento e manter uma estrutura sustentável ao longo do tempo.

É precisamente esta leitura que deve fazer parte de uma estrutura de contabilidade de gestão: utilizar dados contabilísticos e financeiros para apoiar decisões concretas.

O que são indicadores financeiros de uma empresa?

Indicadores financeiros são métricas utilizadas para interpretar a situação económica e financeira de uma empresa. São normalmente calculados a partir do balanço, da demonstração dos resultados, dos movimentos de tesouraria e de outros dados de gestão.

Cada indicador responde a uma pergunta diferente.

  • A empresa consegue cumprir as suas obrigações de curto prazo?
  • Está a gerar margem suficiente?
  • Qual é o peso da dívida da empresa?
  • Quanto demora a receber dos clientes?
  • Quanto do investimento realizado está a gerar retorno?
  • Qual é o nível mínimo de vendas necessário para não gerar prejuízo?

Por isso, os indicadores financeiros são ferramentas de gestão e não apenas rácios para incluir num relatório. Quando são utilizados regularmente, ajudam a acompanhar o desempenho de uma empresa e a detetar alterações antes de estas se transformarem em problemas estruturais.

O Autodiagnóstico Financeiro do IAPMEI é um exemplo de ferramenta que utiliza informação das demonstrações financeiras para apoiar a avaliação económica e financeira das empresas.

Quais são os principais indicadores financeiros?

Não existe um conjunto único aplicável a qualquer empresa. Uma indústria, uma empresa de serviços e um negócio de comércio apresentam estruturas financeiras diferentes.

No entanto, existem indicadores financeiros mais importantes que, com as adaptações necessárias, permitem criar uma visão sólida sobre liquidez, rentabilidade, endividamento e eficiência.

Os dez indicadores seguintes constituem uma boa base para uma rotina mensal de gestão financeira.

1. Liquidez corrente

A liquidez corrente é um indicador financeiro utilizado para medir a capacidade da empresa para cumprir as suas obrigações de curto prazo com os ativos que também deverão ser convertidos em dinheiro no curto prazo.

O cálculo é:

Liquidez corrente = Ativo corrente ÷ Passivo corrente

O ativo corrente pode incluir caixa, depósitos bancários, valores a receber de clientes e inventário. O passivo corrente inclui dívidas e outras obrigações exigíveis no curto prazo.

Por exemplo, se uma empresa tiver 150.000 euros de ativo corrente e 100.000 euros de passivo corrente:

150.000 ÷ 100.000 = 1,5

Neste exemplo, significa que a empresa dispõe de 1,50 euros de ativo corrente por cada euro de obrigações de curto prazo.

Uma liquidez maior que 1 pode, em termos gerais, indicar cobertura das responsabilidades correntes. No entanto, a interpretação não deve ser automática. Quanto maior o peso do inventário ou mais lenta for a cobrança de clientes, menor pode ser a liquidez efetivamente disponível.

Este é um dos principais indicadores de liquidez, mas deve ser analisado em conjunto com a composição do ativo.

2. Liquidez reduzida

A liquidez reduzida é semelhante ao indicador anterior, mas retira o inventário da análise.

O cálculo pode ser apresentado de forma simplificada como:

Liquidez reduzida = (Ativo corrente − Inventários) ÷ Passivo corrente

Este indicador é particularmente útil em empresas nas quais o inventário pode demorar a ser vendido ou não pode ser convertido rapidamente em dinheiro.

Uma organização pode apresentar uma liquidez corrente aparentemente confortável e, simultaneamente, ter dificuldades em honrar os seus compromissos se uma parte significativa do ativo estiver concentrada em inventário de baixa rotação.

Comparar estes dois indicadores permite compreender melhor a verdadeira posição de curto prazo.

3. EBITDA

O EBITDA é um indicador frequentemente utilizado para avaliar o desempenho operacional antes do efeito da estrutura financeira, impostos, depreciação e amortização.

A sigla corresponde a Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization.

De forma simplificada, permite observar o resultado gerado pela atividade antes de juros, impostos, depreciações e amortizações.

O EBITDA não corresponde ao lucro líquido nem ao dinheiro disponível em caixa. Uma empresa pode apresentar EBITDA positivo e continuar a enfrentar dificuldades de tesouraria devido a investimento, dívida, prazos de recebimento ou outras necessidades financeiras.

Ainda assim, é um indicador financeiro relevante para acompanhar a capacidade operacional do negócio e comparar a evolução ao longo de determinado período.

Também pode ser utilizado em conjunto com o endividamento para avaliar a relação entre dívida e capacidade de geração de resultados.

4. Margem de lucro líquido

A margem de lucro líquido mostra quanto do volume de negócios permanece como resultado depois de considerados os custos e despesas da atividade.

A fórmula é:

Margem líquida = Lucro líquido ÷ Volume de negócios × 100

Se uma empresa faturar 500.000 euros e apresentar um lucro líquido de 40.000 euros:

40.000 ÷ 500.000 × 100 = 8%

Este indicador significa que, por cada 100 euros de vendas, a empresa conserva 8 euros de resultado líquido.

A margem de lucro deve ser comparada com períodos anteriores e, quando possível, com outras empresas ou referências relevantes do mesmo setor.

Uma redução da margem pode resultar de aumento de custos, redução de preços, alteração do mix de produtos e serviços ou perda de eficiência de uma empresa.

5. Margem de contribuição

A margem de contribuição ajuda a perceber quanto cada produto ou serviço contribui para suportar os custos fixos e, posteriormente, gerar lucro.

Uma fórmula simplificada é:

Margem de contribuição = Receita − Custos variáveis

Pode também ser calculada em percentagem sobre as vendas.

Este indicador é especialmente útil quando a empresa tem diferentes produtos e serviços e pretende perceber quais contribuem mais para os resultados.

Uma empresa pode vender um produto com um valor elevado e, ainda assim, apresentar uma margem de contribuição reduzida se os custos variáveis associados forem também elevados.

Esta métrica ajuda na definição de preços, escolha do mix comercial e análise da lucratividade de diferentes áreas.

Profissionais de contabilidade e gestão a analisar indicadores financeiros, custos e resultados de uma empresa

6. Ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio indica o nível de vendas necessário para que a margem gerada cubra os custos fixos da empresa.

Abaixo deste nível, a operação tende a gerar prejuízo. Acima dele, começa a contribuir para resultado positivo.

Uma forma simplificada de cálculo é:

Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Taxa de margem de contribuição

Imagine uma empresa com um custo fixo mensal de 20.000 euros e margem de contribuição média de 40%.

20.000 ÷ 0,40 = 50.000 euros

O negócio precisa, neste exemplo, de gerar aproximadamente 50.000 euros de vendas para atingir o ponto de equilíbrio.

Este indicador financeiro ajuda o gestor a definir objetivos comerciais e a perceber o impacto de alterações nos preços ou na estrutura de custos.

7. Autonomia financeira e endividamento

A autonomia financeira permite analisar o peso dos capitais próprios no financiamento do total da empresa.

Uma fórmula habitualmente utilizada é:

Autonomia financeira = Capitais próprios ÷ Ativo total × 100

Quanto maior a autonomia financeira, menor tende a ser a dependência de capitais alheios. No entanto, isso não significa que toda a dívida seja negativa.

O endividamento da empresa deve ser analisado em função da capacidade da empresa de gerar resultados e caixa suficientes para suportar os respetivos encargos.

Entre os indicadores de endividamento pode também ser analisada a relação entre dívida financeira líquida e EBITDA.

Um investimento financiado através de dívida pode fazer sentido quando o retorno esperado é compatível com o custo e o risco assumidos. O problema surge quando o serviço da dívida começa a limitar a capacidade de uma empresa para financiar a operação ou novos projetos.

Quando existe necessidade de reforçar os recursos disponíveis, deve também ser analisada a estrutura de financiamento e incentivos para empresas mais adequada ao investimento.

8. Prazo médio de recebimento

O prazo médio de recebimento procura medir quantos dias, em média, a empresa leva para receber dos clientes.

É um indicador essencial porque vender não significa receber imediatamente.

Uma empresa pode aumentar significativamente o volume de vendas e, simultaneamente, deteriorar a sua saúde financeira se os valores demorarem demasiado tempo a entrar em caixa.

O cálculo deve ser adaptado à informação e ao período analisado, relacionando normalmente os saldos de clientes com as vendas a crédito.

Se o prazo médio aumentar de forma consistente, pode existir necessidade de rever condições de pagamento, processos de cobrança ou seleção de clientes.

Para medir corretamente este indicador, é importante utilizar critérios consistentes ao longo do tempo.

9. Prazo médio de pagamento

O prazo médio de pagamento procura indicar quanto tempo a empresa levaria para pagar aos seus fornecedores, em média, de acordo com os dados analisados.

Este indicador deve ser observado em conjunto com o prazo médio de recebimento.

Se a empresa paga aos fornecedores significativamente antes de receber dos clientes, terá de financiar essa diferença através de tesouraria própria ou outras fontes.

Por exemplo, receber em 60 dias e pagar em 30 cria uma necessidade financeira que cresce à medida que aumenta o volume de negócios.

Estes dois indicadores financeiros são particularmente importantes para compreender as necessidades de fundo de maneio e a capacidade da empresa em honrar os seus compromissos.

10. Retorno sobre investimento

O retorno sobre investimento, normalmente conhecido pela sigla ROI, é um indicador utilizado para relacionar o resultado obtido com os recursos investidos.

Uma fórmula simples é:

ROI = (Retorno obtido − Investimento) ÷ Investimento × 100

Se foram investidos 100.000 euros num projeto e o retorno líquido associado foi de 120.000 euros:

(120.000 − 100.000) ÷ 100.000 × 100 = 20%

O indicador mostra um retorno de 20% sobre investimento segundo esta metodologia de cálculo.

A fórmula concreta deve ser definida de forma consistente, porque o conceito de retorno pode variar consoante aquilo que se pretende avaliar.

Este indicador é especialmente útil na comparação de projetos de investimento, campanhas, equipamentos ou decisões de expansão.

E o cash flow?

Apesar de não ser um rácio no mesmo sentido dos indicadores anteriores, o cash flow é uma das informações mais importantes para acompanhar a situação financeira de uma empresa.

Resultado contabilístico e dinheiro disponível não são a mesma coisa. A empresa pode apresentar lucro líquido e, simultaneamente, ter falta de liquidez devido a clientes por receber, investimento, amortização de dívida ou aumento do inventário.

Por isso, o gestor deve acompanhar os fluxos de entrada e saída de dinheiro e criar previsões para as semanas e meses seguintes.

Como interpretar todos estes indicadores?

Todos esses indicadores devem ser analisados em contexto. Não existe um valor universal que determine automaticamente se qualquer empresa está bem ou mal.

Um indicador é útil sobretudo quando pode ser comparado.

Existem quatro comparações particularmente importantes:

  • valor atual face ao mês anterior;
  • valor atual face ao mesmo período do ano anterior;
  • resultado real face ao orçamento;
  • empresa face a referências relevantes do setor.

Esta análise permite perceber não apenas a fotografia atual, mas também a tendência.

O Mecanismo de Alerta Precoce do IAPMEI utiliza precisamente indicadores económicos e financeiros para disponibilizar informação de apoio à análise da evolução das empresas.

Que indicadores devem constar num dashboard mensal?

O dashboard não deve apresentar todos os diversos indicadores financeiros que seja possível calcular. Deve apresentar aqueles que influenciam decisões concretas.

Para muitas PME, uma primeira estrutura pode incluir:

  • volume de negócios;
  • EBITDA;
  • margem de lucro;
  • liquidez;
  • saldo de tesouraria;
  • prazo médio de recebimento;
  • prazo médio de pagamento;
  • endividamento;
  • rentabilidade;
  • ponto de equilíbrio.

Dependendo da atividade, podem ainda existir indicadores de atividade e indicadores de desempenho não financeiros, como produtividade, número de encomendas, taxa de ocupação ou capacidade instalada.

A empresa precisa de escolher métricas que expliquem o seu modelo económico e não apenas indicadores fáceis de calcular.

Porque é importante acompanhar a evolução mensal?

Uma análise feita apenas no final do exercício chega demasiado tarde para muitas decisões.

Quando o desempenho financeiro é acompanhado mensalmente, a empresa descobre mais cedo alterações relevantes na margem, liquidez, custos e rentabilidade.

Essa informação pode permitir rever preços, reduzir custos e despesas, renegociar prazos, atrasar um investimento ou reforçar a tesouraria antes de surgir uma dificuldade.

Nos primeiros 90 dias de uma empresa, esta disciplina é particularmente útil porque permite criar desde cedo um histórico e perceber se as primeiras previsões estão alinhadas com a operação real.

Indicadores de rentabilidade, liquidez ou atividade: quais escolher?

A resposta depende da decisão que pretende tomar.

Os indicadores de rentabilidade ajudam a perceber a capacidade da empresa em gerar resultados.

Os indicadores de liquidez analisam sobretudo a capacidade de cumprir compromissos no curto prazo.

Os indicadores de endividamento permitem perceber como a empresa utiliza capitais alheios e qual o peso da dívida na estrutura financeira.

Já os indicadores de atividade ajudam a analisar a velocidade com que determinados recursos são utilizados, vendidos, recebidos ou pagos.

Não é necessário escolher apenas uma categoria. A leitura mais completa resulta da combinação de diferentes indicadores.

Erros comuns na utilização de indicadores financeiros

Analisar apenas um indicador

Uma margem elevada não compensa automaticamente uma situação de liquidez crítica. Da mesma forma, uma boa posição de caixa não significa necessariamente que a empresa esteja a gerar lucro.

Comparar empresas sem considerar o setor

Estruturas de margem, inventário, dívida e investimento podem variar significativamente entre atividades.

Alterar o método de cálculo

Uma métrica perde utilidade quando é calculada de forma diferente todos os meses. Os critérios devem ser consistentes para permitir comparações.

Olhar apenas para o passado

Os demonstrativos financeiros mostram informação essencial sobre aquilo que aconteceu, mas a gestão também precisa de previsões.

Orçamento, tesouraria previsional e cenários ajudam a perceber aquilo que poderá acontecer se determinadas condições se mantiverem.

Acompanhar demasiados indicadores

Um painel com dezenas de métricas pode dificultar a interpretação. É preferível selecionar os principais indicadores financeiros diretamente relacionados com os objetivos da empresa.

Como usar indicadores financeiros na tomada de decisão?

Um indicador financeiro só é útil quando influencia uma decisão.

Se a margem de contribuição de determinado produto ou serviço cair, pode ser necessário rever preços ou custos.

Se a liquidez piorar, pode ser necessário acelerar cobranças ou renegociar prazos.

Se a empresa está gerando resultados operacionais positivos mas apresenta pressão de caixa, deve ser analisado o ciclo financeiro.

Se a dívida aumentar mais rapidamente do que o EBITDA, a capacidade financeira para novos investimentos pode ficar condicionada.

Esta ligação entre informação e decisão é a razão pela qual os indicadores financeiros são essenciais numa abordagem moderna de gestão.

Como a FHH pode apoiar?

A análise financeira não deve limitar-se à produção de mapas. É necessário definir que informação é realmente útil, garantir a consistência dos dados e interpretar as alterações mais relevantes.

A FHH apoia empresas na organização da informação contabilística e financeira, definição de indicadores e criação de rotinas de reporting que permitam acompanhar o desempenho e apoiar decisões.

Esta abordagem está diretamente ligada à contabilidade de gestão, que utiliza a informação financeira para compreender custos, margens, rentabilidade, tesouraria e eficiência operacional.

Se pretende estruturar os indicadores financeiros da sua empresa, fale com a equipa FHH.

Perguntas frequentes sobre indicadores financeiros

Quais são os principais indicadores que uma empresa deve acompanhar?

Liquidez, EBITDA, margem líquida, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, autonomia financeira, endividamento, prazos de recebimento e pagamento e retorno do investimento formam uma boa base. A seleção deve ser adaptada à realidade da empresa.

Quantos indicadores deve ter um dashboard?

Não existe um número obrigatório. O objetivo é manter um conjunto suficientemente pequeno para permitir uma leitura rápida, mas suficientemente completo para representar a situação financeira e operacional.

Com que frequência devem ser calculados?

Muitos indicadores fazem sentido numa análise mensal. Liquidez e tesouraria podem precisar de acompanhamento semanal ou mesmo diário em empresas com maior pressão financeira.

Um bom indicador significa que a empresa está financeiramente saudável?

Não necessariamente. Um indicador isolado deve ser interpretado em conjunto com outros dados. A saúde financeira da empresa depende de rentabilidade, liquidez, estrutura de capital, geração de caixa e capacidade para cumprir compromissos.

Os indicadores financeiros servem apenas para empresas grandes?

Não. Uma pequena empresa pode utilizar um conjunto simples de indicadores para acompanhar vendas, custos, liquidez e resultado. A complexidade deve acompanhar a dimensão do negócio.

Medir para decidir melhor

Os indicadores financeiros são medidas quantitativas que ajudam a compreender o comportamento económico de uma empresa, mas o valor está na forma como são interpretados.

Saber quanto a empresa gera, quanto precisa de financiar, quanto demora a receber e que retorno obtém sobre os recursos investidos permite tomar decisões com maior fundamento.

A empresa ganha uma vantagem adicional quando consegue acompanhar estas métricas de forma consistente, comparar tendências e agir antes de um desvio se tornar um problema.

Para implementar um modelo de acompanhamento financeiro adaptado ao seu negócio, agende uma reunião com a FHH.